Assim de súbito, como um anjo tivesse sacudido suas asas sobre mim, uma lucidez fria, branca e estranha toma conta do meu coração como essa folha branca de papel, que absorve as minhas palavras sem buscar qualquer sentido. E vem um medo bobo de ser inconveniente, ser demais, além da conta. Uma vergonha boba a povoar os dedos, os olhos, a boca. Eu inteira. Como uma criança que acredita em manhã de natal, em papai noel, em brotos cor de rosa, que ouve música sobre os telhados, e às vezes por engano, deixa a música entrar e ela não quer mais sair do coração. E como criança, me entrego, confio, espero e... alguém me diz que estou enganada. Alguém segura meu pulso e impede que eu caia no abismo, que meu vôo seja muito alto. Eu não posso voar. Ainda não é dezembro. E os brotos ainda estão secos. A poesia além de toda compreensão humana, me toma pelo braço e me socorre mais uma vez.

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