04/07/2011

A sacerdotisa que há em mim...

Há dentro de mim um sem-número de contradições sem-fim
Uma secreta perversão dos sentidos que ao mesmo tempo me assusta, fascina e hipnotiza
Sacerdotisa do tempo, trago no coração, um punhado de sentimentos não-resolvidos
Nos pés, correntes invisíveis, marcas de um tempo, não tão longe assim
Minha túnica já foi branca, hoje está sem cor
Minhas mãos vazias, não conseguem mais reter a areia do tempo
Também não é mais preciso. As verdades já não estão mais em velhos pergaminhos, e eu não preciso mais morrer para o mundo para conhece-las. Na verdade estão bem perto, mas meus olhos de gato, preguiçosos e vadios, preferem seguir a lua e seus estranhos reflexos.
Miragens? Prefiro chamar de janelas, procuro ver meus olhos, mas eles estão escuros, e o som da minha voz às vezes me confunde.
De certo, apenas que estou aqui. O mundo? Está lá. O tempo? Não é mais preciso que eu dê atenção. Não há mais areia em minhas mãos, a túnica também não está aqui, nem as estranhas marcas de meu passado nebuloso e frio.

Idéias


Faz tempo que não escrevo. Mas é falta de tempo mesmo. Talvez um pouquinho de preguiça, o que realmente importa é que as idéias vieram. Vêm. A todo instante, doces, arredias, prontas, inacabadas, coloridas, monocromáticas, perdidas, desencontradas, inteiras, ou só um lapso de memória, de criação, ou independência. Não vêm sozinhas, trazem emoções, trazem palavras, cenas, imagens. Atos inteiros. Às vezes me pego viajando, distraída, brincando com sons, imagens, palavras que vão e vêm, às vezes tenho a impressão que vejo o mundo por um caleidoscópio, a um movimento de cabeça, um jogo de olhos, tudo muda numa rapidez incrível. As pessoas, as coisas, os lugares parecem fazer um estranho jogo de equilíbrio, malabarismo, ou será passos de dança? O ritmo às vezes flui leve, outras vezes, é pesado, parece que estamos dormindo ou dormentes, às informações chegam devagar, pedindo passagem... que louco, não? Deixa pra lá! O que não faz a falta de inspiração!?