29/08/2011

Almas irmãs que se querem bem

No silêncio do meu pensamento, imagens várias, música, liberdade e amplidão.
Olhos que brilham no escuro, deslizes, sorrisos, abraço e beliscão.
O pedido mudo de socorro e o arrebatamento de ser compreendido,
esquecimento das horas, compromissos vãos.
Um café à dois, ou à três
e uma taça de vinho
para celebrar
o mistério do contato,
onde não tem regra, nem pecado.
Para além do nosso mundo particular, só não há inocência e perigo.

E na intimidade ainda se abriga o doce desconhecido...


19/08/2011

A Poesia na minha vida


Assim de súbito, como um anjo tivesse sacudido suas asas sobre mim, uma lucidez fria, branca e estranha toma conta do meu coração como essa folha branca de papel, que absorve as minhas palavras sem buscar qualquer sentido. E vem um medo bobo de ser inconveniente, ser demais, além da conta. Uma vergonha boba a povoar os dedos, os olhos, a boca. Eu inteira. Como uma criança que acredita em manhã de natal, em papai noel, em brotos cor de rosa, que ouve música sobre os telhados, e às vezes por engano, deixa a música entrar e ela não quer mais sair do coração. E como criança, me entrego, confio, espero e... alguém me diz que estou enganada. Alguém segura meu pulso e impede que eu caia no abismo, que meu vôo seja muito alto. Eu não posso voar. Ainda não é dezembro. E os brotos ainda estão secos. A poesia além de toda compreensão humana, me toma pelo braço e me socorre mais uma vez.

06/08/2011

Bons amigos

Esse é um texto antigo, mas que guarda um laço com o presente... difícil de explicar. Digamos que reflita algo que aconteceu comigo, podia acontecer com qualquer um, pode estar acontecendo agora, também pode ter sido tudo mera invenção de um coração bobo, que não sabe guardar disfarce. Amor de amigo é coisa linda, que às vezes machuca, às vezes é maravilhoso.

...


Porque quando estou com ele tudo perde a importância? Tudo cai em segundo plano? Não é certo gostar assim. Mas quando penso em dizer não, o sim já se foi, meu sorriso já está estampado, meu olho já tá brilhando, como criança em manhã de natal, esperando o presente. E esse presente é sua companhia, seus olhos, sorriso, mãos, enfim, eu sinto que preciso ficar esperta, então lhe falo tudo na esperança de que ele tome conta da situação, impeça o envolvimento, corte o laço, já que eu sou incapaz de fazê-lo, e acho que ele me compreende, acaba sendo a razão, mantendo-me gentil em meu lugar, impedindo-me a queda. Como por exemplo, lhe faço demonstrações de amor. É de minha natureza, amar e demonstrar, dizer-lhe com os olhos, boca, mãos. Ele finge que nada acontece. Ou melhor que tudo é muito natural, nem faz demonstrações de apreciação ou de contenção. Apenas fica quieto, desvia o assunto, foca outro ponto de vista, faz vista grossa. E por alguns instantes recobro o juízo, volto à velha temperança, torno-me a companhia perfeita, nem de mais, nem de menos. Até quando? Mas o desejo está aqui. Rondando-me. O tempo todo. Um desejo crescente de estar perto. De sentir-lhe a presença. E isso me assusta e inebria. Uma fome de situações que me coloquem junto dele, corrói a alma, ao mesmo tempo que um festival desconcertante de advertências, conselhos, explicações explode no meu ouvido interno, e eu preciso domar o desejo e recriar o laço, afrouxando-o o mais que posso, até convencer-me de que não há perigo, somos apenas bons amigos.