25/06/2011
23/06/2011
Confiança
Confiança é um troço sério. Demora anos pra se ganhar, e assim, num passe de mágica, um escorrego, uma desilusão qualquer, tudo pode ruir, perder-se. Como algo pode ser tão difícil de se desenvolver e se apresentar tão frágil, tão fácil de se perder? Parece contraditório. Normalmente aquilo que se desenvolve com zêlo, com cautela, é mais firme, mais seguro... mas com a confiança não é assim. Seu envoltório é frágil. Um sopro mais forte e tudo estremece. E uma vez perdida... só Deus pra trazê-la de volta. Em seu lugar fica um buraco, imenso, do tamanho do mundo, o chão desaparece, uma tristeza... tão dolorida, tão machucada... não há muito que se fazer. Solidão, medo, tristeza. Tudo misturado, mas nada preenche o vazio. E nos damos conta de tantas e pequeninas coisas, presentes, mas nunca notadas detalhamente. Sempre envoltas no véu da desculpa, do bem-querer, da esperança. É, confiança é meu castigo.
13/06/2011
Espinhos
Sabe quando pisamos o pé num espinho, e na hora, não percebemos muito bem a extensão do dano, quase não sangrou, uma dorzinha boba, que a gente precisa esquecer pra continuar andando. Aí, passa-se o dia, chega a noite, a cabeça encostada no travesseiro, olhos abertos e não sabemos porque. Alguma coisa tá errada. Esfregamos o pé no lençol e damos um grito! Putz! Um olhar mais atento, e lá está a cabecinha do espinho, enterrado fundo... aí nos percebemos que tá doendo, tá doendo muito. A dor já se espalha por todo o pé... Do mesmo jeito é a mágoa. Muitas vezes a gente não percebe o quanto ela se enterrou no nosso coração, estamos tão envoltos no orgulho, na raiva, abraçados a indiferença que não notamos o estrago que ela está fazendo. E enquanto estamos acompanhados, ótimo. O problema está quando ficamos sozinhos, e todo um conjunto de imagens, palavras, memórias infelizes vem alimentar o sentimento, derramar a lágrima. O que fazer? Como retirar o espinho? Geralmente um bom método, é arrancá-lo com a pinça da razão. Arde, machuca um pouco mais, mas mais cedo ou mais tarde, a dor passa. Claro que não ficamos bons do dia para o outro e enquanto estivermos cicatrizando, seguindo a Lei de Murphy, vamos machucar o local, diversas vezes. Por um bom tempo. Pode até ficar alguma marca na pele, natural. Afinal, não somos todos cheios de marcas e sinais? Também pode gerar um mecanismo de autoproteção, vamos esquecer de vez as rasteirinhas, e nos armar com botas e galochas. Seja como for, já vi o espinho, preciso pegar uma pinça.
03/06/2011
Saudade
Saudade é um negócio esquisito, às vezes aparece do nada, de forma tão intensa, tão doce, que deixa a gente toda mole, boba, com os olhos perdidos, com música nos ouvidos, desejo nos braços, na voz. Sede, fome, saudade. Inverossímel.
"De onde vem essa coisa tão minha
Que me aquece e me faz carinho?
De onde vem essa coisa tão crua
Que me acorda e me põe no meio da rua?
É um lamento, um canto mais puro
Que me ilumina a casa escura
É minha força, é nossa energia (a minha e a sua)
Que vem de longe prá nos fazer companhia"
Hoje, tudo que eu queria era um abraço gostoso, demorado, sem compromissos, sem amarras, sem pecado, sem medo de ser tão apegado... desses que parece que a gente abraça um pai, um irmão, um marido, um filho, um amigo, tudo na mesma pessoa.
"De onde vem essa coisa tão minha
Que me aquece e me faz carinho?
De onde vem essa coisa tão crua
Que me acorda e me põe no meio da rua?
É um lamento, um canto mais puro
Que me ilumina a casa escura
É minha força, é nossa energia (a minha e a sua)
Que vem de longe prá nos fazer companhia"
Hoje, tudo que eu queria era um abraço gostoso, demorado, sem compromissos, sem amarras, sem pecado, sem medo de ser tão apegado... desses que parece que a gente abraça um pai, um irmão, um marido, um filho, um amigo, tudo na mesma pessoa.
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