13/06/2011

Espinhos

Sabe quando pisamos o pé num espinho, e na hora, não percebemos muito bem a extensão do dano, quase não sangrou, uma dorzinha boba, que a gente precisa esquecer pra continuar andando. Aí, passa-se o dia, chega a noite, a cabeça encostada no travesseiro, olhos abertos e não sabemos porque. Alguma coisa tá errada. Esfregamos o pé no lençol e damos um grito! Putz! Um olhar mais atento, e lá está a cabecinha do espinho, enterrado fundo... aí nos percebemos que tá doendo, tá doendo muito. A dor já se espalha por todo o pé... Do mesmo jeito é a mágoa. Muitas vezes a gente não percebe o quanto ela se enterrou no nosso coração, estamos tão envoltos no orgulho, na raiva, abraçados a indiferença que não notamos o estrago que ela está fazendo. E enquanto estamos acompanhados, ótimo. O problema está quando ficamos sozinhos, e todo um conjunto de imagens, palavras, memórias infelizes vem alimentar o sentimento, derramar a lágrima. O que fazer? Como retirar o espinho? Geralmente um bom método, é arrancá-lo com a pinça da razão. Arde, machuca um pouco mais, mas mais cedo ou mais tarde, a dor passa. Claro que não ficamos bons do dia para o outro e enquanto estivermos cicatrizando, seguindo a Lei de Murphy, vamos machucar o local, diversas vezes. Por um bom tempo. Pode até ficar alguma marca na pele, natural. Afinal, não somos todos cheios de marcas e sinais? Também pode gerar um mecanismo de autoproteção, vamos esquecer de vez as rasteirinhas, e nos armar com botas e galochas. Seja como for, já vi o espinho, preciso pegar uma pinça.

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