É certo que quando amamos, uma série de coisas são ressaltadas aos nossos olhos, outras ficam nubladas, esquecidas, mas sempre há um dia em que hão de ser percebidas. E eu me sinto estranha ante a essa novidade perdida. De fato, os sinais sempre estiveram lá ou aqui, como preferir. Mas a gente gosta de sonhar, de idealizar, e quando nem isso é possível, de omitir, de restringir a visão, a audição, o tato, todos os sentidos àquilo que nos importa, nos dá sentido, alegria em viver. Percebemos e registramos somente o amor, nem notamos que o amor é nosso. Nossa percepção. Não advém do outro. E o que antes era claro, hoje é ofuscante. Foi o meu desejo, meu sonho que sempre nortearam toda a experiência.
Quando a trave cai, é esta a sensação que tenho, e o olhar se amplia, é como se eu chegasse no topo de uma montanha verdejante, e visse que a paisagem real é outra, atrás, ao lado, na frente da montanha, por todo lado, muita areia, algumas plantas rasteiras, umas árvores perdidas ali, pedras, um riozinho acolá, mas tudo é muito amplo, as distâncias são enormes e o que sinto é cansaço. A beleza está dispersa e eu tenho dificuldade de percebê-la. É para lá que eu devo ir. Uma mistura de desânimo e melancolia.
A montanha era sonho? Não. O sonho era achar que eu poderia fazer parte dela. Fincar raízes. Estabalecer-me em alguma parte, qualquer parte, entre a base e o topo. Mas eu agora compreendo, que sempre soube, que por mais que ela fosse forte, bonita, verdejante, protetora, eu não poderia permanecer nela. Eu sempre fui estranha à sua paisagem. Ela permitiu que eu a usufruísse, de certa forma, me protegeu durante toda minha estadia, até de suas próprias armadilhas, me protegeu dos lobos, me ofereceu água limpa, algumas vezes me abrigou da chuva, permitiu que eu também me aquecesse com sua própria madeira. E eu fui feliz em minha montanha. Rsrsrs. Minha. Acho que fui mais sua do que ela foi minha. Mas esta também é uma percepção muito particular. Eu nunca pertenci realmente à montanha.
Agora é hora de ir. E aqui estou eu enchendo meu cantil de poesia, alegorias e outras bobagens, para empreender nova jornada...

Ameeeei seu blog, Claraluz!
ResponderExcluirAcho que vc já deveria tê-lo começado há muito tempo, pois seu talento para escrever é latente. Agora posso acompanhar melhor do que nas folhas amareladas rsrsrs.
Fico muito feliz! É como se estivéssemos juntas novamente, todos os dias.
Um grande beijo da sua amiga para sempre.
Iane
Carminha...sua cara, adorei tudo!
ResponderExcluirConcordo com a Iane, demorou!!!rsrs
Um beijoo!